A criança submetida
precocemente no esporte
benefícios e malefícios
Autores
Dr. Rogério da Cunha Voser –
ESEF/UFRGS – rpvoser@ig.com.br
Dr. Francisco Xavier de Vargas
Neto – Instituição Educacional
São Judas Tadeu/POA –fxvargasneto@cpovo.net
Dra. Lisete A. M. DE
VARGAS – ESEF/UFRGS
Este trabalho objetiva
estabelecer os componentes
positivos e negativos
envolvidos na atividade
esportiva, quando iniciada
precocemente. O mesmo também
propõe uma prática esportiva
infantil adequada a cada faixa
etária de acordo com
recomendações que poderão
evitar ou amenizar os
prejuízos do tipo físico,
psicológico,
motriz e esportivo.
Unitermos: Especialização
Precoce, Iniciação Esportiva,
Esporte e criança
Este texto tem como finalidade
apresentar o fenômeno relativo à
criança envolvida na atividade
físico-desportiva; em um
primeiro momento apresentamos os
aspectos positivos desta prática
para logo a seguir mostrarmos a
confusão conceitual que permeia
o tema. O passo seguinte é
tentar entender a controvérsia
gerada pelo tema para
posteriormente buscarmos
respostas para as justificativas
usualmente utilizadas.
Encerramos mostrando os
prejuízos que possivelmente
podem advir de uma
especialização precoce e, como
não poderia deixar de ser,
apresentamos formas de atenuar
estes mesmos riscos.
Com o crescimento dos
programas de esportes juvenis,
inúmeras crianças buscam a
prática do esporte através de
clubes, colégios e escolas
especializadas. Dentro deste
ambiente, é possível perceber
que os eventos esportivos, as
competições e os treinamentos
direcionados às crianças são
estruturados com base nos
modelos de programas de
competição de adultos.
Isto também se confirma nos
estudos de Brauner (1994), ao
analisar as “Intervenções
Pedagógicas em Programas de
Iniciação ao Basquetebol” e
Vozear (1998) nos estudos em
Escolinhas de Futsal, quando
ambos observam uma prática
pedagógica tradicional, centrada
na competição, no êxito e na
seletividade, incidindo numa
Iniciação Precoce. Sendo então,
a Iniciação Precoce uma
realidade, pode-se citar Martens
(1986), em seu estudo sobre a
Iniciação Esportiva nos Estados
Unidos (em DURAND, 1988), quando
verifica que o começo se dá
antes dos 5 anos de idade em
várias modalidades , sendo que
na natação e ginástica isto pode
ocorrer aos 3 anos.
Jefferies citado por Durand
(1988) pesquisou a Iniciação
Esportiva na hoje extinta União
Soviética, concluindo que a
mesma não difere dos Estados
Unidos. Lá, a ginástica, natação
e patinação começam antes dos 5
anos de idade. Merino (1999), em
sua pesquisa no Brasil sobre “ A
criança no judô de rendimento”,
confirma uma média de idade para
iniciação aos 5 anos.
Alguns atletas se tornaram
conhecidos mundialmente
exatamente por sua pouca idade,
principalmente na ginástica
olímpica onde isto ocorre com
muita freqüência, sendo Nadia
Comanecci o exemplo mais
significativo da frágil
menininha que se tornou estrela
mundial com pouquíssima idade.
Casualmente, esta mesma atleta
teve graves problemas de saúde
mental após o abandono das
competições esportivas.
Para a Federação Européia de
Psicologia do Esporte (1996),
existe alguns motivos que levam
a criança a esta prática
precoce. Entre eles podemos
citar o aumento dos esportes
organizados, o próprio interesse
das crianças aguçados pela
mídia, o desejo dos pais na
busca do desenvolvimento físico
e psíquico (socialização) de
seus filhos e por fim a busca de
talentos, resultando num
recrutamento esportivo precoce.
Deste modo, nos últimos anos,
tem-se discutido detalhadamente
o fenômeno da “Iniciação
Esportiva”, sua atual
precocidade, bem como, a
controvérsia que é gerada pelo
tema, o que acaba possibilitando
o aparecimento de outras
conceituações paralelas, como
“Especialização Esportiva
Precoce” ou “Treinamento
Esportivo Precoce”, aumentando
ainda mais a confusão conceitual
já existente.(VARGAS NETO, 1999)
-
A iniciação, a
especialização e a
precocidade esportiva
A “iniciação esportiva” (IE)
compreende o processo que tem
início quando uma pessoa
(normalmente a criança) chega em
uma escolinha, permanecendo
nesta até a prática esportiva
competitiva. É lógico que este
processo implica um aprendizado
e posterior treinamento
progressivo, direcionado a
melhorar e depois aperfeiçoar os
diferentes aspectos orgânicos,
funcionais, técnicos e táticos
necessários ao ótimo rendimento
no esporte escolhido.
A IE e competitiva de crianças é
muito mais freqüente do que se
pensa, basicamente por ser a
criança influenciável e
dependente dos adultos. Este
fenômeno, bastante tratado na
literatura especializada, se dá
com muita regularidade nos
países de maior hegemonia
esportiva mundial,
principalmente em algumas
modalidades específicas .
Para Personne (1987) “iniciação
esportiva precoce” (IEP) é a
atividade esportiva desenvolvida
antes da puberdade,
caracterizada por uma alta
dedicação aos treinamentos (mais
de 10 horas semanais) e
principalmente por ter uma
finalidade eminentemente
competitiva. Já Kunz (1994),
referindo-se a “treinamento
especializado precoce” (TEP),
entende que este ocorre quando
crianças são introduzidas antes
da fase pubertária a um processo
de treinamento planejado e
organizado a longo prazo , que
se efetiva em um mínimo de três
sessões semanais com o objetivo
do gradual aumento do
rendimento, além da participação
periódica em competições.
Duas conclusões podem ser
tiradas destas citações: em
primeiro lugar, existe uma certa
confusão conceitual em
referência aos temas IEP e TEP
visto ambas definem o mesmo
processo ainda que não
signifiquem a mesma coisa e, em
segundo lugar, entende-se que
outros diferentes e importantes
aspectos formativos, neste caso,
são deixados de lado ou, na
melhor das hipóteses, são
valores secundários.
-
Competição, Rendimento e
Estresse em relação a
criança
A competição é um fenômeno
universal que faz parte da
história da raça humana.
Competir sugere a busca de um
determinado objetivo e significa
rivalizar, lutar e tentar
conseguir uma façanha ou proeza.
São inúmeros benefícios que o
esporte e a competição são
capazes de possibilitar ao ser
humano, em muitos casos estes
são deturpados quando a sua
prática visa prestigio social ou
quando seus rumos são alterados
pelas influências políticas,
econômicas e culturais.
A competição se torna negativa
quando a orientação esta voltada
exclusivamente para o produto
(resultado final). Neste enfoque
o esporte está acima da
criança, sendo a mesma visto
como um atleta em potencial e um
simples objeto do treinamento.
O rendimento é uma
característica da sociedade
industrial, mas também um dos
traços essenciais do homem. É
necessário um aperfeiçoamento
constante e ruptura com o
conformismo, significa ser
melhor hoje do que ontem e
desafiar seus limites; podendo
também ser um momento de intensa
descoberta. Se faz necessário
distinguir entre o rendimento
externamente exigido (obrigado)
e pessoalmente decidido (automotivado).
O que tem se observado é que
este rendimento é medido através
de um modelo ideal de desempenho
pré-estabelecido pelo treinador
e no sucesso na competição.
De acordo com Constantino
(1993), não é mais possível
entender o desporto como a
procura exclusiva de rendimento
desportivo, traduzido no
recorde, na marca ou na vitória.
Por isso, os seus referenciais
não residirão mais no campeão,
no talentoso, no fora de série
ou no medalhado. Residirão
sobretudo nos indivíduos.
O desporto do futuro será o
desporto dos cidadãos,
construído à medida de cada um,
medida dos sexos, da forma
física, das motivações, da
promoção da saúde, da defesa do
meio ambiente, da solidariedade
social, da descoberta da
expressão através do movimento,
da libertação do corpo, do
sentido de aventura, do prazer
de jogar, mas também do gosto de
competir.
Já o estresse é o resultado do
desequilíbrio entre o nível de
aptidão e as exigências do meio
ambiente. O estresse na criança
não é algo que deva ser evitado,
contudo a condição de agente
benéfico ou prejudicial é
determinado pela capacidade do
organismo de absorver e reagir
ao estímulo.
Desta forma, devemos respeitar
as necessidades e os interesses
das crianças, saber que tipo de
atividades que as motivam, enfim
devemos de todas as formas
minimizar as possíveis pressões
que as mesmas poderão sofrer,
onde na grande maioria das vezes
já começam em casa, quando os
pais que não tiveram sucesso
esportivo na infância depositam
toda sua frustração em desejo de
ver o seu filho como um
esportista de renome.
O esporte de alto rendimento dos
adultos, tem recorrido a
profissionais em uma área
multidisciplinar, como
fisiologistas, médicos,
fisioterapêutas, psicologos,
assistente sociais,
nutricionistas, entre outros,
afim de possibilitar aos atletas
o maior grau de desempenho com o
menor risco de afastamento por
motivos psicológicos ou
lesionais. É óbvio que toda esta
preocupação em possibilitar
certas condições a estes atletas
não restringe a uma preocupação
com o ser humano, mas sim com os
resultados que serão possíveis
de serem alcançados nas
competições.
Por certa vez, em um evento
sobre a Psicologia no Esporte de
Alto Rendimento, um renomeado
atleta do voleibol, ao declarar
o quanto é estressante o
esporte, disse: “uma simples
cortada vale um investimento do
patrocinador, a expectativa dos
companheiros de equipe, do
dirigente, treinador, torcida,
amigos, parentes e mídia”.
Se compararmos com os adultos,
as crianças estão em grande
desvantagem, pois além de não
estarem preparadas
emocionalmente e fisicamente
para suportar altas cargas de
treinamento é inexistente o
acompanhamento de pessoas
capacitadas que poderiam evitar
ou amenizar as conseqüências
desta precocidade esportiva.
-
A controvérsia deste tema
O fenômeno da IE precoce tem
gerado muita controvérsia no
mundo da atividade
físico-esportiva. Normalmente
encontramos pessoas que a apoiam
totalmente bem como aquelas que
rechaçam antagônica e
francamente este processo. Para
alguns dirigentes, treinadores e
monitores esportivos, geralmente
pessoas sem formação
universitária, esta prática é
justificada e não existe nenhum
inconveniente em iniciar a
criança precocemente nos
treinamentos e competições
esportivas a nível federado.
Para outros no entanto, quase
sempre professores com formação
acadêmica, esta iniciação é um
atentado contra a criança e mais
amplamente contra toda a
infância que deveria estar
proibido ou no mínimo
regulamentado.
Em sua tese doutoral que trata
sobre “Esporte e Saúde” (VARGAS
NETO, 1995), o autor faz um
apelo as autoridades políticas e
esportivas no sentido de uma
legislação própria que regule e
controle basicamente: o número
máximo de horas de treinamento
de crianças; a intensidade e os
objetivos deste mesmo
treinamento, e a formação e
qualidade do ensino da pessoa
responsável por estas
atividades.
Seria igual ao que ocorre no
controle por parte do estado de
outros aspectos tais como:
ingresso de menores no trabalho,
o número máximo de horas na
escola, a segurança dos
brinquedos e a higiene dos
produtos alimentícios.
-
As razões que tentam
justificar a especialização
precoce
Alguns pesquisadores tem
tentado encontrar as razões que
buscam justificar a IEP e o TEP
(ou especialização esportiva
precoce [EEP]) , HAHN (1988)
concluiu que o adiantamento da
idade de máximo rendimento ,
principalmente em determinados
esportes, motiva a federações,
clubes e treinadores a iniciar
este processo dirigido ao alto
rendimento cada vez com maior
precocidade.
Observa-se que outra das causas
deste fenômeno, é o atual
sistema esportivo infantil –
basicamente competitivo- que não
está de acordo com as autênticas
necessidades das crianças, pois
é simplesmente um sistema
adaptado do modelo adulto. Um
aspecto importante a considerar,
é também a busca do êxito e
vitórias (medalhas) a qualquer
preço, isto motiva ministérios
de esportes, federações
nacionais e clubes a estimular a
iniciação prematura.
Um último aspecto decisivo
talvez para explicar este
fenômeno, é a atitude dos pais
que freqüentemente buscam uma
compensação, por meio dos
filhos, das vitórias e títulos
esportivos não conseguidos por
eles mesmos.
Segundo nossa análise,
observa-se que de todos estes
motivos expostos, nenhum deles
se ajusta aos interesses e
necessidades reais das crianças,
pois são todos argumentos
extrínsecos ao verdadeiro e
principal ator deste jogo, a
criança.
-
Os prejuízos de uma
especialização precoce
De outra parte, inúmeros
autores tem apresentado
trabalhos que destacam os
prejuízos de natureza diversa
de um TEP ou da EEP. O mais
importante trabalho nesta área
é de um francês, professor de
educação física, PERSONNE, a
obra datada de 1987 cujo
título por si só é muito
significativo, Nenhuma medalha
vale a saúde de uma criança (Aucune
medeille ne vaut la santé d’un
enfant), recolhe um enorme
número de casos reais nos
quais os esportistas -todos
eles submetidos no presente ou
no passado ao TEP- apresentam
uma infinidade de problemas
psicológicos, de saúde física
e de integração.
Outro trabalho excelente é o de
COTTA (em HAHN, 1988) onde se
pode verificar diferentes
patologias em praticantes de
diversas modalidades esportivas
como, halterofilismo, saltos,
remo, natação e outros; todos
estes atletas quando crianças
haviam sido submetidos ao TEP.
Em um estudo de MANDEL e
HENNEQUET (em DURAND, 1988), 74%
dos pediatras consultados
considera não conveniente a
prática esportiva competitiva
antes do final da puberdade; da
mesma maneira no informe
elaborado por DELMAS (em
PERSONNE, 1987), estudo
encarregado pela Academia de
Medicina da França, é chamada a
atenção sobre os efeitos
negativos e portanto
prejudiciais da EEP e do TEP.
Destes trabalhos citados e de
outros tantos já publicados, se
pode concluir e entender alguns
dos prejuízos que a prática
intensiva de um esporte
competitivo iniciado
precocemente na infância pode
ocasionar, para facilitar o
entendimento dividimos os
possíveis riscos em quatro
grandes áreas: riscos de tipo
físico, psicológicos, motrizes e
riscos de tipo esportivo.
Neste bloco se faz referência
aos riscos que a prática
esportiva competitiva iniciada
precocemente pode ocasionar a
saúde corporal das crianças.
Foram detectados problemas
ósseos, articulares, musculares
e cardíacos, dependendo da
especialidade esportiva,
sobretudo aquelas tecnicamente
mais complexas que empregam um
grande número de repetições de
gestos técnicos visando a
automatização e aperfeiçoamento
do movimento.
Personne (1987) comprovou que um
praticante de ginástica olímpica
pode realizar ao longo de uma
temporada mais de 8.000 saltos
(impacto altamente traumatizante
para as articulações); um atleta
de saltos ornamentais executa
mais de 14.000 saltos; um
arremessador de dardo, 6.000
arremessos por ano. Preocupados
com as campanhas que promovem as
corridas de rua, nas quais
crianças e adolescentes são
estimulados a participar,
assusta a pesquisa de Ferrandis
(1994) na qual verificou que um
corredor de maratona durante a
prova, executa por volta de
30.000 impactos do calcanhar
contra o solo, nestes impactos
pode chegar a aplicar uma força
de até seis vezes o peso de seu
corpo.
No voleibol sabemos que um
cortador pode chegar a 150
saltos por partida, nos quais
seus pés atingem uma altura
superior a um metro e o impacto
de chegada ao solo pode ser de
até dez vezes o peso de seu
corpo. Devemos pensar também nos
anos de preparação, duração e
intensidade do treinamento para
chegar a este nível. É uma carga
demasiadamente forte para o
ombro e articulações dos membros
inferiores. O grande problema
deste tipo de risco reside no
impacto e na similitude dos
gestos, principalmente se nos
referimos as crianças em pleno
processo de desenvolvimento.
-
Riscos de tipo psicológico
Neste bloco são agrupadas todas
as conseqüências negativas do
TEP e das competições que se
relacionam com a conduta e o
estado mental dos sujeitos. Em
crianças competidoras foram
encontrados níveis anormalmente
altos de ansiedade, estresse e
frustração; são conhecidos casos
de talentos esportivos com
futuro promissor que hoje se
sentem martirizados internamente
por fracassos e desilusões
resultantes de maus resultados
em competições.
De qualquer forma o fato mais
preocupante psicologicamente, é
o que alguns autores chamam de
“infância não vivida”, por culpa
da alta dedicação aos
treinamentos exigida
principalmente em algumas
modalidades esportivas, que pode
chegar a várias horas ao dia
durante todos os dias da semana,
acrescentando ainda mais a
atividade escolar. Kunz (1994)
detectou que isto pode provocar
uma formação escolar deficiente,
e pior, parece ser que a criança
esportista participa menos das
brincadeiras e jogos do mundo
infantil, atividades estas que
são indispensáveis ao pleno
desenvolvimento de sua
personalidade.
Aqui serão agrupados os riscos
relacionados com a falta de base
poliesportiva que acompanha o
TEP. Efetivamente sabemos que o
TEP busca o rendimento em um
aspecto concreto da execução
motriz – no modelo competitivo –
ignorando geralmente os outros
importantes objetivos
educacionais que o esporte pode
oferecer.
Esta “pobreza motriz” ocasionada
pelo TEP (ou pela EEP) está mais
presente em alguns esportes que
em outros, podendo inclusive
impossibilitar a prática futura
de um esporte diferente daquele
que praticou durante a infância
(VARGAS NETO, 1995).
É normal observarmos atletas de
alto nível que adquiriram
“automatismos motores
extremamente rígidos” que lhes
impede de executar movimentos
novos e diversificados; é um
paradoxo do esporte, a plena e
total habilidade em uma
modalidade esportiva, impedindo
neste mesmo indivíduo sua
disponibilidade motriz
generalizada (VÁZQUEZ, 1989).
Neste bloco se destaca que na
prática esportiva precoce se
produz uma
iniciação/especialização as
cegas, pois é muito difícil
conhecer com exatidão as
características do futuro
atleta de elite quando este
ainda é muito pequeno. Pode
ser que estamos
iniciando/especializando a
criança para uma prática
esportiva para a qual ela não
tem as mínimas condições
especiais exigidas.
Parece ser também que a
conquista de importantes títulos
ou marcas durante a infância não
é garantia de sucessos
esportivos quando este mesmo
atleta se torna adulto .
A seleção de talentos é um campo
das ciências do esporte que
ainda precisa avançar muito,
ainda que em determinados
aspectos correlacionados com o
rendimento esportivo, como por
exemplo a antropometria, existem
meios bastante fiáveis de
predição. No entanto, outros
importantes aspectos como
“motivação futura”, “atitude
frente a competição” ou
“persistência nos treinamentos”,
não se pode hoje em dia efetuar
estudos prospectivos com
relativa garantia de sucesso.
De toda nossa exposição
anterior, chegamos a conclusão
de que existem muitas dúvidas
quanto a conveniência da IEP ou
do TEP bem como da prática
esportiva competitiva antes do
final da puberdade.
Evitando os riscos
A adequada prática esportiva e
competitiva infantil vai
depender de uma infinidade de
fatores entre os quais podemos
citar: a formação e atuação do
professor, os meios e os
objetivos propostos, a faixa
etária das crianças, o tipo de
competição no qual ela vai
participar, a efetiva forma de
participação da família neste
contexto e etc.
De qualquer modo, durante o
treinamento infantil é
importante que sejam observados
os aspectos mostrados a seguir,
para que se possa evitar dentro
do possível, os riscos
comentados no decorrer de nosso
trabalho. Ungerer (em HAHN,
1988) sugere que devemos: (ver
quadro a seguir)
1. Durante as cargas elevadas,
aumentar os tempos de
recuperação;
2. Priorizar o desenvolvimento
da resistência aeróbia em lugar
do treinamento da resistência
anaeróbia;
3. Evitar as situações onde se
bloqueia a respiração (apneias
prolongadas);
4. No treinamento de força,
evitar as cargas elevadas que
incidem sobre a coluna;
5. No treinamento de força,
aumentar o trabalho de
flexibilidade;
6. Nas tarefas que exigem alta
coordenação motora, ter em mente
a limitação do processamento de
informação nas crianças;
7. Priorizar os movimentos e as
habilidades naturais em lugar
dos exercícios elaborados;
8. Valorizar a variedade em
lugar da esteriotipação dos
gestos técnicos;
9. Para melhor motivação,
valorizar o aspecto lúdico das
atividades; e,
10. Por ser melhor por sua maior
carga motivacional, efetuar o
treinamento em grupo do que
individualmente.
Para concluir, lembramos que a
criança não é um adulto (atleta)
em miniatura e que o treinador
ou professor além de sua tarefa
técnica, também deve ter
responsabilidade pedagógica com
o futuro -principalmente- do
jovem a ele confiado.
Encerramos, apresentando a
“Carta dos
direitos da criança no esporte”,
uma ideologia psicopedagógica
baseada nas noções de respeito
ao jovem esportista, que diz em
seu artigo primeiro:
“toda
criança tem direito a praticar
esporte”, e termina em
seu décimo-primeiro artigo
propondo que
“toda
criança tem direito a não ser um
campeão”.
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física en la educación basica.
Madrid:
Gymnos S. A.
Sobre esporte para crianças
1
Estimule a criança –
Os pais devem incentivar os
filhos a movimentar o corpo
com atividades agradáveis. A
prática de exercício físico na
infância ajuda no
desenvolvimento cognitivo e
psicomotor, melhorando a
consciência corporal e também
habilidades motoras básicas
como andar, equilibrar-se e
correr, que é a base de muitos
esportes e brincadeiras.
2
Evite cobranças – Não
obrigue seu filho a praticar
um esporte. Na infância, a
criança deve gostar e se
sentir à vontade com a
modalidade praticada. Em
muitos casos, os pais criam
expectativas em relação ao
esporte, o que pode gerar
sentimento de cobrança. Do
ponto de vista psicológico, é
bem provável que a criança
“trave” seu desenvolvimento
com tanta responsabilidade e
cobrança.
3
Saiba as diferenças
– Existe uma grande
distinção entre a modalidade
esportiva recreativa e a
modalidade esportiva
competitiva. A iniciação
ocorre de forma lúdica, mas é
comum que aqueles que se
destacam iniciem nas
competições esportivas. Daí em
diante, os treinos e as
competições exigem cada vez
mais determinação e
comprometimento, o que pode
até atrapalhar nos estudos.
Devido ao estresse e à
cobrança das competições, é
comum que no início da
adolescência eles queiram
abandonar o esporte. Por isso,
as atividades devem ser bem
dosadas para não acarretar
estresse físico e emocional na
criança.
4
Varie a rotina esportiva
– Para as crianças, o
interessante não é a
especialização precoce em
determinado esporte. O ideal é
proporcionar-lhes uma
variedade de atividades. É
importante que as aulas de
Educação Física utilizem o
maior número possível de
modalidades, favorecendo aos
alunos optarem, no futuro, por
aquelas que mais têm
afinidade.
5
Melhore a autoestima do seu
filho – Diversas
mudanças ocorrem no organismo
da criança que pratica
esportes, aumentando a
resposta do sistema imune.
Outro benefício do exercício é
o aumento da concentração,
fato que mantém a criança
atenta na realização das
tarefas, o que favorece a
aprendizagem escolar. Além
disso, estimular o exercício
físico na infância melhora a
autoestima da criança,
favorece hábitos saudáveis
para a vida toda. Então, leve
a criançada para brincar na
pracinha, pedalar, dar uma
corridinha, jogar uma bola.
Fonte: Fabiano Piassarollo de
Souza, educador físico
Publicado por
ClicRBS/Zero Hora
Conheça o posicionamento da
Sociedade Brasileira de
Medicina do Exercício e do
Esporte
sobre a Atividade Física e
Saúde na Infância e
Adolescência
A
competição desportiva pode
trazer benefícios do ponto
de vista educacional e de
socialização, uma vez que
proporciona experiências de
atividade em equipe,
colocando a criança frente a
situações de vitória e
derrota. Entretanto, o
objetivo de desempenho,
principalmente quando há
excessivas cobranças por
parte de pais e treinadores,
pode trazer conseqüências
indesejáveis, como a aversão
à atividade física. Por essa
razão, o componente lúdico
deve prevalecer sobre o
competitivo quando da
prescrição de atividade
física para as crianças.
A implementação da atividade
física na infância e na
adolescência deve ser
considerada como prioridade
em nossa sociedade.
Dessa forma, recomendamos
que:
1) Os profissionais da área
de saúde devem combater o
sedentarismo na infância e
na adolescência, estimulando
a prática regular do
exercício físico no
cotidiano e/ou de forma
estruturada através de
modalidades desportivas,
mesmo na presença de
doenças, visto que são raras
as contra-indicações
absolutas ao exercício
físico;
2) Os profissionais
envolvidos com crianças e
adolescentes que praticam
atividade física devem
priorizar seus aspectos
lúdicos sobre os de
competição e evitar a
prática em temperaturas
extremas;
3) A educação física escolar
bem aplicada deve ser
considerada essencial e
parte indissociável do
processo global de educação
das crianças e adolescentes;
4) Os governos, em seus
diversos níveis, as
entidades profissionais e
científicas e os meios de
comunicação devem considerar
a atividade física na
criança e no adolescente
como uma questão de saúde
pública, divulgando esse
tipo de informação e
implementando programas para
a prática orientada de
exercício físico.
Fonte - Documento
Completo :
http://www.medicinadoesporte.org.br/images/pdfs/1998_ativ_fisica_e_saude_inf.pdf
A prática desportiva de crianças
e jovens
“O treinador deve
respeitar sempre a criança,
não pode transformá-la em bola
do jogo, dos seus desejos e
fantasias de sucesso. Não
deverá nunca sobrecarregar o
atleta, e sim construí-lo
progressivamente. Deve
preocupar-se tanto quanto
possível que o praticante
estabeleça amizade com os
colegas de sua idade”. (Meinberg,
1993)
-
A prática desportiva de
crianças e jovens deve:
1. Contribuir para o
desenvolvimento global e
harmonioso dos jovens, nas
facetas física, intelectual,
emocional e social, assim
como para a sua formação
cívica;
2. Garantir a saúde e a
segurança das atividades
desenvolvidas;
3. Propiciar atividades de
desenvolvimento pessoal e
social, através da
integração num grupo e do
desenvolvimento da sua
auto-estima;
4. Constituir um complemento
da sua atividade escolar e
não a sua ocupação ou centro
de interesse mais importante
ou muito menos exclusivo;
5. Decorrer com uma
supervisão qualificada,
exigindo-se, para tal, uma
adequada formação dos seus
responsáveis, com especial
destaque para seus
treinadores;
6. Proporcionar a todas as
crianças e jovens
oportunidades de participar,
de forma regular, em níveis
de prática (treino e
competição) compatíveis com
suas capacidades e grau de
maturidade;
7. Proporcionar
oportunidades para que as
crianças e jovens possam
viver experiências
agradáveis, fazer novos
amigos, aprender novas
habilidades, adquirir
hábitos de autodisciplina,
persistência e aprender a
cooperar e a competir com
lealdade;
8. Garantir a todas as
crianças e jovens a
oportunidade de se
aperfeiçoarem, conferindo ao
mesmo tempo, àqueles que
manifestem aptidões fora do
comum, a possibilidade de
poderem prosseguir, se o
desejarem, para níveis mais
elevados do rendimento
desportivo;
9. Distinguirem-se
substancialmente da prática
desportiva dos adultos,
adotando modelos de
preparação e competição
próprios, cujos objetivos e
características dominantes
sejam construídos a partir
dos interesses e
necessidades dos
praticantes, evitando o
predomínio dos interesses
dos adultos (treinadores e
pais) ou da modalidade;
10. Evitar confrontar as
crianças e jovens com uma
prática muito formal,
intensiva e vincadamente
competitiva, visando a
construção de resultados em
curto prazo, o que conduz,
normalmente, a perturbações
do desenvolvimento, à
diminuição da longevidade
das carreiras desportivas e
ao aumento da tendência para
o abandono precoce;
11. Privilegiar a criação do
gosto pela prática, a
aprendizagem correta e
consistente das técnicas, o
enriquecimento do
“vocabulário” motor e do
desenvolvimento geral das
capacidades motoras, por
oposição a valorização
excessiva da vitória e do
resultado, que conduzem
facilmente ao treino
intensivo;
12. Evitar apresentar a
vitória e as medalhas como
as únicas referências de
sucesso, devendo, pelo
contrário, encorajar e
elogiar o esforço efetuado e
o progresso individual
conseguido por cada
praticante,
independentemente dos
resultados alcançados;
13. Orientar as expectativas
dos praticantes num sentido
realista, obstando ao
aparecimento de perspectivas
exageradas para o seu
desenvolvimento futuro,
moderando, em particular, o
aparecimento de “estrelas”
prematuras;
14. Contrariar a tendência
de pais e treinadores para
se “projetarem” nos seus
filhos e praticantes,
fazendo da vitória uma
questão de afirmação
pessoal, exercendo sobre
eles uma excessiva pressão,
obrigando-os a lidar com
exigências exageradas e
muitas vezes irrealistas;
15. Decorrer em ambientes
adequados, que garantam o
caráter agradável da
prática, controlando as
situações que provocam,
desconforto, frustração,
desencorajamento e reações
de oposição, provocadas por
uma exigência excessiva,
pela definição de objetivos
irrealistas, por um
relacionamento hostil, por
uma intervenção parcial, ou
por uma distribuição
desequilibrada da atenção
dada aos diferentes
praticantes;
16. Manter a natural
ansiedade da prática
desportiva dentro da “zona
de conforto” dos
praticantes, reduzindo e
relativizando as suas
principais fontes, como
sejam, a importância
atribuída à participação na
competição e o grau de
incerteza do respectivo
resultado;
17. Desenvolver atitudes
saudáveis perante a vitória
e a derrota, garantindo que
estas são encaradas como
“faces distintas da mesma
moeda”, fundamentalmente
através do recurso a duas
mensagens: “ganhar não é
tudo nem a única coisa” e
“perder não constitui
obrigatoriamente um
fracasso”;
18. Estruturar o ensino, o
treino e a competição como
base numa prática
diversificada,
proporcionando uma ampla
variedade de experiências
motoras, psicológicas e
sociais, como forma de
garantir a indispensável
preparação geral e
multilateral;
19. Atender a que
experiências desportivas
intensivas, quando efetuadas
demasiado cedo, podem
conduzir a um
desenvolvimento físico
desequilibrado e afetar a
saúde da criança e do jovem,
assim como perturbar a sua
evolução desportiva;
20. Ter presente que os
sucessos excepcionais nestas
idades não são garantia de
sucesso a longo prazo nem
que, portanto, essas
crianças e jovens venham a
ser campeões na idade
adulta.
Fonte:
http://www.juvenil.com.br/tenis/index.php?modulo=escola&script=escola.php
Referência: Jovens no
Desporto – Um Pódio para Todos,
Portugal, 1999.
FONTE : INSTITUTO DO
DESPORTO DE PORTUGAL
-
http://www.idesporto.pt/
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A
influência dos pais no
rendimento da criança em
competições
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O filho - atleta
e sua relação com a
torcida familiar
Daniel Leite Portella
Preparador Físico
das categorias de base
de futebol - S. C.
Corinthians Paulista
UniFMU - Centro
Universitário UniFMU
Se pararmos para
observar, poderemos
indagar se a criança
quando nasce já não está
inserida em uma
competição, a competição
da vida, e com o
decorrer só há o acúmulo
de mais competições.
Segundo DE ROSE (1992),
competir não é uma coisa
negativa como alguns
pensam, sempre que há
competição, constrói -
se a imagem da vitória
para uns e derrota para
outros e o derrotado
fica, geralmente,
arrasado, mas, o autor
afirma que o objetivo da
competição é atingir o
seu melhor resultado e
nem sempre esse melhor
resultado significa a
vitória.. Os pais podem
ter uma importância
muito grande na
qualidade das
experiências
competitivas de seu
filho (BARBANTI 1992),
essa qualidade está
ligada ao tratamento que
o pai confere ao seu
filho quando ele ganha
ou quando ele perde.
Baseado em COZAC (2001)
podemos dizer que o
filho, em muitos casos,
é uma "extensão
narcísica" dos pais e
este fato pode gerar
muitas desavenças dentro
de casa como comparações
entre um e outro, tanto
no caso do sucesso como
no caso do fracasso.
LA TORRE (2001)
sugere que pressões
impostas a crianças,
seja ela por qualquer
motivo, pode dar origem
ao chamado "burnout",
que é a desistência da
vida esportiva pelo
atleta-criança.
Porém, se falamos da
pressão que os pais
exercem sobre os filhos,
podemos imaginar que
esse rendimento pode ser
afetado por essa
possível pressão dos
pais. Para analisarmos
melhor esse problema da
falta de incentivo e o
problema da possível
pressão dos pais podemos
citar LATORRE (2001) que
aponta algumas
classificações de pais e
suas características em
relação a vida
competitiva dos filhos:
-
Os
desinteressados
- pais que costumam se
ausentar das
competições do filho
ou por desinteresse ou
porque tem algo "mais
importante" para
fazer.
-
Os pais
"úteis" -
incentivam a
participação dos
filhos nas competições
de forma positiva .
-
Os
excessivamente
críticos -
sempre criticam o
filho nunca estando
satisfeito com seu
desempenho.
-
Os
vociferantes
- ficam alterados
durante as
competições, gritam,
gesticulam e chegam as
vezes a ficar
agressivos.
-
Os "técnicos"
- têm a impressão de
serem os donos do time
dão instruções aos
atletas passando até
por cima das
instruções do técnico.
-
Os
superprotetores
- têm medo de ver seus
filhos em competições
por inúmeras razões e
insegurança, isso pode
ser transmitido para
os filhos.
Como afirmou
BARBANTI (1992), para
esses pais críticos,
vociferantes e técnicos;
as crianças são vistas
como adultos em
miniatura, pois, a
pressão sofrida pela
criança é equivalente a
de um adulto. Segundo
MEDINA (2000), essa
cobrança de resultados
nada mais é do que um
reflexo da cobrança
exercida na categoria
principal onde os
atletas já são adultos.
MACHADO (1997),
afirma que segundo
pesquisas feitas por ele
entre pais e filhos-
atletas, foi constatado
que um atleta pode
sentir-se incomodado com
a presença dos pais na
torcida. Ele ainda
coloca que esse incomodo
gerado, tem algumas
explicações na
literatura como; as
atitudes exageradas dos
pais na torcida; a
relação entre eles, pais
e filhos, ser conturbada
dentro de casa por algum
motivo não
necessariamente ligado
ao fato da criança ser
atleta; algum trauma de
infância que seja
projetado no pai ou na
mãe e o próprio silêncio
dos pais durante a
competição.
OLIVEIRA (1994),
constata uma
conseqüência citada
anteriormente por
MACHADO (1997): o
silêncio dos pais. Esse
silêncio pode demonstrar
desinteresse dos pais
sobre o filho e sua
atividade.
A idade da criança
também interfere quando
se fala de influência
dos pais. Em alguns
países, a idade para
iniciação de uma criança
à competição chega a ser
de três anos (nos
Estados Unidos)
dependendo da
modalidade. Na maior
parte dos países
industrializados essa
idade é entre seis e
sete anos. Entretanto há
estudos dizendo que a
criança até doze ou
treze anos é um reflexo
do meio em que está
inserido (PHILIPPI,
1992), e o meio de maior
influência nessa idade é
o meio familiar onde o
alicerce são os pais.
Portanto, os pais podem
exercer uma influência
mais forte sobre a
criança e quem sabe
inserir na criança o
pensamento que abordamos
anteriormente sobre o
melhor resultado nem
sempre ser a vitória ou
aquela política de
resultados e vitórias.
Ao pensarmos na
auto-estima da criança
com relação á vitória ou
derrota, podemos ver o
que decorre BECKER
(2001) vencer um
adversário
demasiadamente fraco não
aumenta a auto-estima do
vencedor, porém, o
perdedor fica humilhado
e sua auto-estima é
reduzida.
Um estudo realizado
por SIMÕES et al (1999),
faz uma correlação sobre
uma outra variável nessa
relação pais e filho -
atleta: o sexo do filho.
A mãe não exerce
influência significativa
sobre o filho ou a
filha; em compensação o
pai exerce grande
influência sobre o filho
e muito menos sobre a
filha, mas mantém um
grau de exigência de
moderado para alto.
Sempre que falamos
dessas relações pais e
filhos-atletas, não
podemos esquecer de
fazermos pontes com as
transformações que
houveram na família, a
evolução dessa relação
intrafamiliar, a
formação cultural dessa
família e outros pontos
que são influenciadores
diretos no rendimento e
comportamento do pequeno
atleta diante da pressão
imposta de uma forma ou
de outra pelos pais.
Leia na íntegra :
|
Considerações do esporte escolar
para crianças e jovens atletas
Luiz Alexandre de Menezes Nunes
Especialista em Treinamento
Desportivo pela UNIFESP
A participação de crianças e jovens escolares em competições esportivas é
um aspecto que merece destaque
nos dias atuais. Desta forma,
este texto discute considerações
importantes sobre a diferença
entre idade biológica e
cronológica, as formas de
competição esportiva em nossa
cidade e a especialização
esportiva precoce.
Um programa de treinamento bem
organizado e estruturado a longo
prazo, aumenta consideravelmente
a chance dos atletas
permanecerem praticando a
modalidade esportiva e lograrem
êxito no futuro. Em idades de
formação ou iniciação
desportiva, 8 a 10-11 anos, o
"como" treinar deveria ter
prioridade sobre o "quanto"
treinar. Técnicos e professores
devem privilegiar a qualidade e
não a quantidade do treinamento,
fazendo do aprender a aprender,
o principal objetivo de
interesse e aprendizado do seu
futuro atleta.
Da mesma forma, o
desenvolvimento multilateral das
capacidades físicas deve ter
ênfase sobre atividades para
aprimoramento específico.
Crianças e jovens que
desenvolvem várias habilidades
motoras estão mais aptos a se
adaptarem a cargas elevadas de
treinamento, sem experimentar o
estresse excessivo ocasionado
pela especialização precoce. Se
objetivamos ter atletas de alto
nível, precisamos atrasar a
especialização e os resultados a
curto prazo.
Nessas idades, o fazer muito em
pouco tempo deve ser substituído
pelo fazer pouco durante muito
tempo. O professor que leva a
criança a fazer muito em pouco
tempo, faz com que ela aprenda
também a perder o interesse na
aula, levando a um abandono
precoce em virtude do grande
volume ou intensidade de
treinamento, além da
possibilidade do aparecimento de
lesões sérias.
Crianças não são adultos em
miniatura e por isso não devem
ser submetidas a treinamentos
para adultos de forma reduzida.
As diferentes capacidades
fisiológicas e psicológicas
relativas a cada fase de
desenvolvimento do ser humano
são acompanhadas por
transformações comportamentais
críticas. Os programas de
treinamento esportivo devem ser
elaborados de acordo com o
estágio de maturação do atleta,
pois as exigências e
necessidades individuais variam
bastante em indivíduos com a
mesma idade cronológica. Estes
indivíduos podem diferir em
vários anos no nível de
maturação biológica.
A idade biológica está
relacionada ao desenvolvimento
fisiológico dos órgãos e
sistemas do corpo humano que
determina a maturação
fisiológica, tanto na realização
de treinamentos ou participação
em competições, para a obtenção
de um alto nível de performance.
Há muitos anos trabalhei em
clubes esportivos treinando
equipes de natação de diversas
idades e categorias para
participarem de competições
regionais e nacionais. Hoje
trabalho com desporto escolar e
vejo essa diferenciação mais
claramente: alunos da mesma
série, apesar de possuírem a
mesma idade cronológica, podem
apresentar diferenças relevantes
à idade biológica. Não somente
às capacidades físicas, força,
velocidade e resistência, mas
principalmente ao nível de
maturidade emocional e
psicológica. Desta forma, uma
maneira de amenizar o problema
seria conscientizar pais e
alunos desta situação, e tentar
conduzi-lo a um outro horário de
aula, de outra série, por
exemplo.
Para agravar ainda mais a
situação, a divisão das
categorias desportivas em nossa
cidade está relacionada ao ano
de nascimento do atleta, ou
seja, um aluno que nasceu em
janeiro compete na categoria de
outro que nasceu em dezembro do
mesmo ano. O atleta quando muda
de ano também o faz na categoria
que disputará no ano seguinte,
independente de ter mudado de
idade. Esta situação é ainda
mais grave em idades
pré-púberes, quando o
desenvolvimento biológico é mais
acelerado. A criança deveria
mudar de categoria no seu
aniversário. Um sistema rígido
de competição que classifique os
alunos segundo a idade
cronológica quase sempre
resultará em julgamentos
errôneos, avaliações incompletas
e decisões inadequadas.
Apesar de que crianças com
desenvolvimento precoce estejam
em vantagens sobre as outras em
idades pré-púberes, relatos de
experiência e pesquisas têm
demonstrado que as crianças que
se desenvolvem normalmente tem
maior probabilidade de atingirem
melhores desempenhos no futuro.
É também interessante
observarmos, que crianças que
possuem um corpo grande e forte
não necessariamente o tem nas
características emocionais e
psicológicas e, desta forma, não
conseguem realizar um
treinamento físico mais forte,
em virtude dessa deficiência.
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organización del entrenamiento
juvenil. Colección Entrenamiento
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FARINATTI, P. T. V. Criança
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KRAEMER, W. e FLECK, S.
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ROSE JR, D. Esporte e
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multidisciplinar. Artmed - RS,
2002.
WEINECK, J. Biologia do esporte.
Manole - SP, 1991.
Créditos
www.fgp.org.br |